Resenha (quase sem spoilers): Aquaman, um dos melhores e mais ambiciosos filmes da Marvel

18 de dezembro de 2018 0 Por Tobb

Falando sério: Um filme divertido, pra cima, colorido, com vilões que possuem motivações reais E não são estereótipos maniqueístas, um herói relutante mas que GOSTA de ser herói, e sem grandes massacres de coadjuvantes pra “avançar a história”.  É um filme da Marvel, só pode ser.

Aquaman finalmente conseguiu o respeito que sempre mereceu, e a DC percebeu que Mulher-Maravilha não era filha única, eles conseguem sim fazer filmes fora da estética dark-depressiva de Christopher Nolan. O truque é não se levar a sério demais. O resultado? Aquaman nem estreou nos EUA ainda e já faturou no resto do mundo US$261.4 milhões.

Mas logo o Aquaman?

Sendo honesto eu adoro as zoeiras com o Aquaman, mas elas são profundamente injustas, é tudo culpa dos Superamigos. Em verdade gibis sempre foram uma mídia de nicho, os personagens mais populares são conhecidos do grande público mas de forma muito superficial. Convenhamos, todo mundo conhece Batman e Robin mas quanta gente fora dos quadrinhos sabe Robin já foi uma menina, duas vezes?

Toda uma geração conhece Marvel e DC graças a desenhos animados isso gerou situações no mínimo divertidas, como a turma que escreveu textos revoltados acusando a DC de whitewashing (um daqueles crimes hediondos imaginários que só a militância se importa) no filme do Lanterna Verde. Eles sinceramente não sabiam que antes de Jon Stewart houve Hal Jordan (ok, Guy Gardner também, mas não vamos complicar).

Para  a geração anterior Aquaman era aquele sujeito dos Superamigos que falava com peixes e cavalgava cavalos marinhos.

E peixes voadores.

No filme, Aquaman cavalga cavalos marinhos gigantes e fala com peixes. E funciona!

Nos quadrinhos ele nunca foi esse herói bundão, inclusive foi um dos fundadores da Liga da Justiça, e não se esqueça, ele é um monarca.

Em algumas histórias até se brinca com a imagem popular do personagem, e a piada de falar com peixes é recorrente, mas Aquaman teve arcos bem sérios, incluindo quando ele perdeu a mão e passou a usar um arpão, um arco com profundas consequências psicológicas e um dos momentos mais punk já mostrados em uma história em quadrinhos, a hora em que o vilão,  Charybdis, enfia a mão do herói em um rio de piranhas:

Curiosamente o filme do Aquaman, da DC é bem mais leve do que a versão dele nos quadrinhos.

A Jornada do Herói Molhado

Aquaman conta a história de Arthur Curry (Jason Momoa), filho de uma Rainha Atlante (Nicole Kidman) e um faroleiro (Temuera Morrison, que fez Abin Sur em Lanterna Verde) . A mãe é forçada a abandonar a família quando Arthur ainda é bebê, ele cresce criado pelo pai e treinado por Vulko (William DaFoe), Grão-Vizir de Atlântida, que mantém em segredo a localização do menino, em modo Full Obi-Wan.

Em Atlantis com a morte do antigo Rei assume o poder Orm (Patrick Wilson), um sujeito que despreza o povo da superfície (nós), acusando a Humanidade comum monte de calúnias, dizendo que poluímos os oceanos, extinguimos espécies com pescas predatórias e enchemos o fundo do mar com nosso lixo, vê se pode.

Orm tenta organizar os Sete Reinos para uma guerra total contra a superfície, e a única forma de evitar que ele tenha sucesso é com a ajuda do legítimo herdeiro, o príncipe mestiço que nunca botou os pés em Atlântida.

Inicialmente ele não quer se meter, mas as circunstâncias o forçam a desafiar o irmão pelo Trono. Não dá certo, mas nosso herói tem uma segunda chance, onde passa por uma jornada de autoconhecimento, reconhece sua verdadeira força interior e no final vence o vilão, com inteligência, força, clemência e a Julie Andrews (sério).

Ah sim tem o Arraia Negra, em uma bem-feita origem de vilão que serve pra mostrar que o nosso herói era bem babaquara também, ao menos no começo.

O Herói na Dele

Aquaman apareceu em uma pontícula em Batman V Superman e teve papel de destaque em Liga da Justiça, onde Momoa conseguiu mostrar sua versão do personagem. Ele não é um primor de estabilidade emocional, claro. É um sujeito vivendo entre dois mundos, nunca plenamente ajustado a nenhum deles. É preso a uma figura materna que ele acredita ter sido morta por sua causa, mas em seu microcosmo Arthur Curry é admirado e respeitado pelos locais, ele efetivamente tem fãs, mesmo fingindo que não gosta. Também -pasmem- gosta do pai e os dois saem para beber juntos. Eu sei, não parece um filme da DC.

Mera

A (futura rainha) Mera era originalmente uma assassina de outra dimensão que se apaixonou e casou com Aquaman, e fez muito adereço de cena (afinal era 1952) antes de se reformulada e virar uma heroína chutadora de bundas.

A Mera de Amber Heard é a princesa guerreira (chupa, She-Ra!) que os fãs da velha guarda conheciam e amavam, e que os millenials juram que foi inventada só pra eles. Ela se defende sozinha, o que é maravilhoso pra quem enjoou da fase mocinhas em perigo que Hollywood emplacou por tanto tempo. Céus, que ódio daquela Vicky Vale do Tim Burton, só servia pra gritar aquela desgraça.

Nada contra o recurso dramático da mocinha em perigo. Em Guerra nas Estrelas foi a Leia em perigo que fez Luke levantar a bunda de Tatooine, mas a diferença é que depois que ela foi (quase) resgatada ela meteu a mão na massa, não foi uma inútil gritadeira.

O Visual

Eles gastaram uma fortuna em efeitos visuais e dá pra ver que cada centavo foi bem-aproveitado. Um diretor mais preguiçoso, um filme mais pobre colocaria todo mundo andando, mas em todas as cenas no fundo do mar os atlantes se movem de forma fluída, flutuando. O trabalho de remoção de cabos foi imenso, e todas as cenas submarinas tiveram computação gráfica, em detalhes tão simples quanto os cabelos, como nesta imagem de Dolph Lundgren:

Yes, Dolph Fuking Lundgren, Ivan Drago é o Rei Nereus, e ele manda muito bem!

Nas cenas de batalha o visual também é épico, com participação especial do Tamatoa:

Em épocas onde todo mundo quer inventar, redesenhar, reescrever as histórias antigas, James Wan ousou ser… tradicional. Wan aliás foi uma pucta aposta da DC (Eu sei, é Warner, blablabla). Ele é conhecido como um ótimo diretor de gênero, responsável pela franquia Jogos Mortais e vários outros filmes bem-falados, mas tudo na área do terror, foi uma boa surpresa ele conseguir dirigir um filme tão bem-humorado.

Bem-humorado sem cair na galhofa, a maior parte do humor vem do Aquaman do Momoa, que faz o papel de (me perdoem, é maior que eu) peixe fora d’água, mas o filme não tem uma pegada Deadpool. Aquaman é mais para o humor de Tony Stark.

Em relação ao que ele não mexeu, Wang manteve o traje do Arraia Negra:

Um monte de gente deve ter reclamado, dito que era ridículo aquele cabeção, mas essa é a imagem canônica do personagem, se dá pra manter, melhor assim. E acharam até uma justificativa pro capacete gigante.

E se você acha que pararam aí, que tal os cavalos marinhos gigantes? Lembra do desenho?

Também estão lá, só um tiquinho aprimorados.

Aquaman trouxe mais complexidade pro Universo Cinematográfico DC do que todos os filmes da Marvel até Guardiões da Galáxia. Uma pletora de personagens e histórias, prontas para serem contadas. Mesmo assim, não há sobrecarga de informação. Normalmente em filmes assim tudo pára pra algum personagem expor detalhes da trama, mas não em Aquaman, até os flashbacks são curtos, ágeis e não quebram o ritmo.

Ah sim, para dar uma idéia da coragem do diretor: Até o Topo, o polvo adestrado parceiro do Aquaman aparece.

Conclusão:

Aquaman conseguiu até usar o uniforme clássico e fazer com que ele ficasse legal. Conseguiu fazer um filme de 2:40min parecer uma brisa. Conseguiu fazer um filme da DC não ser forçado como Esquadrão Suicida nem dark ou dramático, e conseguiu isso tudo sem fazer o filme bobo.

É apenas o melhor filme da DC em muitos anos, conseguindo tudo sem o privilégio de ter uma Mulher-Maravilha atrelada. Quem for, vai se divertir, a não ser que seja daqueles chatos que odeiam pipoca e só assistem filmes de países sem luz elétrica ou água encanada. E melhor, não é preciso nenhum conhecimento prévio.

E antes que alguém dica que só é filme da Marvel com cameo do Stan Lee, bem… temos algo quase tão bom:

Cotação:

5/5 Mauis

 

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